terça-feira, 16 de setembro de 2008

Loucura

Hoje, resolvi postar sobre a LOUCURA. A meu ver, é aquela que anda lado-a-lado à lucidez, que tenta ser a explicação para as coisas que fazemos com mais vontade e prazer mais que geralmente quando nos é perguntado certamente daremos a desculpa: "foi um momento de loucura". Não entendo o por quê desse necessidade de justificar algo onde nossa criatividade aflora como loucura, porém mal sabemos que é aí onde estamos despertando nossos maiores lapsos de sanidade. Gosto muito de ENSAIO PARA LOUCURA de Erasmo de Rotterdam, diz tudo aquilo que um dia gostaríamos de dizer em algumas horas. Vou deixar um dos melhores pedaços do texto a meu ver pra vocês poderem expressar suas opiniões após a leitura.


''Para dizer a verdade, não nutro nenhuma simpatia pelos sábios que consideram tolo e
impudente o auto-elogio. Poderão julgar que seja isso uma insensatez, mas deverão
concordar que uma coisa muito decorosa é zelar pelo próprio nome.
De fato, que mais poderia convir à Loucura do que ser o arauto do próprio mérito e fazer
ecoar por toda parte os seus próprios louvores? Quem poderá pintar-me com mais
fidelidade do que eu mesma? Haverá, talvez, quem reconheça melhor em mim o que eu
mesma não reconheço? De resto, esta minha conduta me parece muito mais modesta do que
a que costuma ter a maior parte dos grandes e dos sábios do mundo. É que estes, calcando o
pudor aos pés, subornam qualquer panegirista adulador, ou um poetastro tagarela, que, à
custa do ouro, recita os seus elogios, que não passam, afinal, de uma rede de mentiras. E,
enquanto o modestíssimo homem fica a escutá-lo, o adulador ostenta penas de pavão,
levanta a crista, modula uma voz de timbre descarado comparando aos deuses o
homenzinho de nada, apresentando-o como modelo absoluto de todas as virtudes, muito
embora saiba estar ele muito longe disso, enfeitando com penas não suas a desprezível
gralha, esforçando-se por alvejar as peles da Etiópia, e, finalmente, fazendo de uma mosca
um elefante. Assim, pois, sigo aquele conhecido provérbio que diz: Não tens quem te
elogie? Elogia-te a ti mesmo.
Não posso deixar, neste momento, de manifestar um grande desprezo, não sei se pela
ingratidão ou pelo fingimento dos mortais. É certo que nutrem por mim uma veneração
muito grande e apreciam bastante as minhas boas ações; mas, parece incrível, desde que o
mundo é mundo, nunca houve um só homem que, manifestando o reconhecimento, fizesse
o elogio da Loucura."


Um comentário:

Luisa disse...

Eiiiiii...adorei esse texto!!muito.Os considerados loucos pela sociedade moralista são os mais felizes, são os mais em paz consigo mesmos, são aqueles que vivem realmente e não só passam pela vida!É essa definição que eu dou pra nossa maneira de viver a vida amiga...somos loucas, felizes,do bem....
te amuuuuuuuu
bjaooo saudadeee